sexta-feira, 29 de maio de 2009

O PORTUGUÊS DE ANGOLA

O PORTUGUÊS DE ANGOLA
O português angolano é a variante do português falada e escrita em Angola. Em todo o país, 60% dos 12,5 milhões de habitantes falam o português como língua principal.
Mesmo com a independência das antigas colónias africanas, o português padrão de Portugal é o padrão preferido pelos países africanos de língua portuguesa. Logo, o português apenas tem dois sotaques de aprendizagem, o europeu e o brasileiro. Entretanto, é importante salientar que dentro do que se convencionou chamar de "português do Brasil" e "português europeu", há um grande número de variações regionais, sendo a variante angolana muito característica com uma série de peculiaridades.
História
Fonologia
Em muitos aspectos fonológicos, o português de Angola assemelha-se ao português falado no Brasil, como por exemplo na pronúncia da palavra "menino": no Brasil e em Angola a pronúncia é "meninu" ou "mininu". Porém em geral o português de Portugal é o mais próximo do falado pelos angolanos; por exemplo, a palavra "Portugal" é pronunciada "purtugal" tanto pelos angolanos como pelos portugueses. Cabe ressaltar que há grande influência africana na variante angolana, visto que Angola claramente fica na África Subsaariana.
Ortografia
Padrões
O português tem duas variedades escritas (padrões ou standards) reconhecidas internacionalmente:
• Português de Portugal
• Português do Brasil
À excepção do Brasil, todas as demais ex-colónias portuguesas, Angola inclusive, seguem o padrão de Portugal tanto na escrita quanto na pronúncia. Para conhecer as diferenças consulte a Ortografia da língua portuguesa.
Léxico
A maior parte do vocabulário do português é comum entre todas as variantes. Entretanto existem termos que são usados exclusivamente em Angola ou são muitos raros em outras nas outras variantes. Muitas palavras africanas foram incorporadas ao Português Angolano.
Situação do português
A adoção da língua do antigo colonizador como "língua oficial" foi um processo comum à grande maioria dos países africanos. No entanto, em Angola deu-se o fato pouco comum de uma intensa disseminação do português entre a população angolana, a ponto de haver uma expressiva parcela da população que tem como sua única língua aquela herdada do colonizador.
São vários os motivos que explicam esse fenômeno. O principal foi a implantação, pelo regime colonial português, de uma política assimiladora que visava à adoção, pelos angolanos, de hábitos e valores portugueses, considerados "civilizados", entre os quais se encontrava o domínio da língua portuguesa. Por outro lado, há que ter em conta também a presença de um elevado número de colonos portugueses espalhados por todo o território, bem como dos sucessivos contingentes militares portugueses que, durante o longo período da Guerra Colonial, se fixaram no interior do país.
Apesar de ser um processo impositivo, a adoção do português como língua de comunicação corrente em Angola propiciou também a veiculação de ideias de emancipação em certos setores da sociedade angolana. Principalmente a partir de meados do século XX, a língua portuguesa facilitou a comunicação entre pessoas de diferentes origens étnicas. O período da guerra colonial foi o momento fundamental da expansão da consciência nacional angolana. De instrumento de dominação e clivagem entre colonizador e colonizado, o português adquiriu um carácter unificador entre os diferentes povos de Angola.
Com a independência em 1975, o alastramento da guerra civil, nas décadas subsequentes, teve também um efeito de expansão da língua portuguesa, nomeadamente pela fuga de populações rurais para as cidades — particularmente Luanda — levando ao seu desenraizamento cultural e forçando a rápida adoção do português.
A própria implantação do novo Estado nacional reforçou a presença do português, usado no exército, no sistema administrativo, no sistema escolar, nos meios de comunicação, etc.
Embora, oficialmente, o governo angolano declarasse defender as línguas regionais, na prática tendeu sempre a valorizar exclusivamente aspectos que contribuíssem para a unificação do país — o português como a única língua unificadora — em detrimento de tudo o que pudesse contribuir para a diferenciação dos grupos e a tribalização — a miríade de línguas e dialectos regionais e étnicos.
Embora as línguas regionais ainda sejam as línguas maternas da maioria da população, o português é já a primeira língua de 30% da população angolana — proporção que se apresenta muito superior na capital do país — e 60% dos angolanos afirmam usá-la como primeira ou segunda língua.
Língua oficial e do ensino e um dos fatores de unificação e integração social, o português encontra-se em permanente transformação em Angola. As interferências linguísticas resultantes do seu contacto com as línguas regionais, a criação de novas palavras e expressões forjadas pelo génio inventivo popular, bem como certos desvios à norma padrão de Portugal, imprimem-lhe uma nova força, vinculando-o e adaptando-o cada vez mais à realidade angolana. Alguns dos muitos exemplos são as palavras: "camba", "cota", "caçula" ou "bazar", que provêm de vocábulos quimbundo, di-kamba (amigo), dikota (mais velho), kasule (o filho mais novo) e kubaza (fugir), respectivamente. Para além dos já plenamente dicionarizados na língua portuguesa batuque, bobó, bunda, cambolar, capanga, catinga, curinga, dendê, gingar, jimbolo, jingo, jinguba, machimbombo, maxim, minhoca, missanga, mocambo, mocotó, moleque, munda, mupanda, mutula, muzungo, pupu, quibuca, quilombo, quitanda, samba, sibongo, tacula, tamargueira, tanga, tarrafe, tesse, ulojanja, umbala, xingar e muitos outros.
A língua literária em Angola distinguiu-se sempre pela presença das línguas locais, expressamente em diálogos ou interferindo fortemente nas estruturas do português. Embora quase exclusivamente em língua portuguesa, a literatura angolana conta também com algumas obras em quimbundo e umbundo.
Música
Ao se empregar a forma de cantar com o português de Angola nota o ouvinte todo um novo tipo de sonoridade que em nada se iguala no resto da comunidade falante do português. A velha geração de músicos angolanos nos estilos de semba, kizomba, rebita ainda preservam essa forma de cantar. O cantor angolano Bonga é disso um autêntico exemplo. Na nova geração uma banda de semba intitulada "Semba Masters" manteve um estilo de cantar muito típico também. Mas estão a perder-se essas formas à medida que a música angolana se deixa influenciar pela forma de cantar e por expressões do português do Brasil. Alguns artistas e compositores do novo estilo de música de Angola o "Kuduro" parecem alguns ainda preservar o estilo de cantar angolano.
Humor
O humor angolano depende profundamente da forma de falar do angolano; sem essa forma de falar o humor angolano perde sua força e originalidade. Um exemplo é o actor angolano e humorista Luís Kifas, uma das figuras da série humorística angolana da TPA, Conversas no Quintal. Luís Kifas preserva ainda os traços típicos do humor angolano e da sua expressão oral sem influências do português do Brasil.
Actualmente
Em Angola, o português está a tornar-se rapidamente uma língua nacional, e não só oficial ou como veículo de coesão nacional. Pelo censo de 1983, na capital, Luanda, o português era a primeira língua de 75% da população de 2,5 milhões. Em todo o país, 60% dos 12,5 milhões falavam o português como língua principal. A maioria dos jovens angolanos só consegue falar português. Angola recebe vários canais de TV portugueses e brasileiros, o canal de notícias português (SIC Notícias) tornou-se muito popular em Angola num tempo recorde depois de ter começado a emitir em 2003. Há também muitas outras línguas nativas em Angola, mas sofrem de falta de prestígio em relação ao português. Algumas palavras dessas línguas foram emprestadas ao português. Palavras como "iá" (sim), "bué" (muito) ou "bazar" (ir embora), comuns na população jovem e urbana portuguesa, têm origem nas línguas angolanas usadas no português de Angola. No Brasil a influência angolana também é bem expressiva na linguagem.
O português de Angola como é falado pelos angolanos encontra-se em risco de desaparecimento devido à forte influência do português falado no Brasil, o qual entra livremente via televisão (telenovelas) e influencia grandemente a forma de falar do angolano. Alguns linguistas angolanos despertam agora para o drama do desaparecimento do "estilo" angolano de falar o português. Os próprios músicos angolanos começam também eles a deixarem-se agora influenciar pelo português do Brasil. Há quem acredite que estamos a viver os últimos tempos do português de Angola sendo que uma catalogação, estudo e divulgação do mesmo se apresenta como uma medida urgente por forma a que não se perca um estilo de português único, o português de Angola.[

3 comentários:

  1. Em meu entender, compete aos acadêmicos, através de programas específicos, atuar muito seriamente, junto das camadas juvenis estudantis, principalmente, no sentido de lhes incutir a necessidade de preservar o português angolano do brasileirismo.

    Cada povo é um povo.
    Angola e Brasil são dois países distintos, falantes do idioma português, porém, de forma diferente, naturalmente.

    Permitir que o português angolano seja engolido pelo português brasileiro, e que os angolanos passem a falar à brasileira, é uma manifestação de complexo de inferioridade perante o povo influente, sendo não apenas vergonhoso mas também humilhante do ponto de vista de valorização da identidade sociolinguística do povo angolano.

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  2. Ora nem mais, para nos os Angolanos com um certo nivel de complexo de inferioridade.

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  3. Uma opinião quanto ao blog: vocês copiaram e colaram a maior parte deste texto da Wikipédia, poderiam ter sido um pouco mais criativos em termos de pesquisa, acabou ficando com palavras com o português de Portugal, afinal de contas é um blog brasileiro. Sobre a "brasileirização" do português de Angola, qual o problema? Se hoje já falam sensivelmente diferente da língua do colonizador, porque então não adotar um português que é falado por muitos milhões mais que o atual?

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